quarta-feira, 22 de agosto de 2007

coração de pedra


Queres ser o vento que passa e não fica
Um vento que de tão forte, destrói e deixa marcas
Marcas que intencionas apagar com um silêncio
Que o meu coração de pedra não sente

Porque as pedras não sofrem no teu vento
Apenas circulam, se puderem

O meu coração é enorme mas é de pedra
Uma pedra que deseja a frescura da tua brisa
De preferência com a velocidade de outro dia

Porque a velocidade do teu vento faz o meu rio correr
E arrastar com ele tudo o que pode

Um rio que transparece tudo o que lhe cai
Manchado, de tudo o que contém
Necessita de correr com a tua força
Vai voltar a transparecer e ser o rio que abriga
Que alimenta a natureza,
Que sacia

Porque o rio que sou esta separado por uma rocha
Uma rocha que abranda o meu correr, é um coração frio e sem razão
Um coração que os pássaros pousam e se banham,
Que os repteis vigilam e atacam

As plantas que rego são o ar que respiro e sem elas secarei de certeza
São a razão do meu correr, porque só corro para as ver crescer
Dar-lhes a tranquilidade de sentir o sol que completa esta nossa tarefa
É com respeito por esse sol que um dia me secou
Que espero a chuva
Que me trará força para continuar a demolhar o meu coração de pedra.

1 comentário:

Sangue Eléctrico disse...

Eu sei que o meu coração não te interessa, é um coração frágil que em contacto com essa pedra se parte fácilmente, um coração que transborda de impulsos que não me deixa racicionar, um coração que tanto me faz ser bom como ser mau, e que apesar de não ser de pedra me faz sofrer.

Parabens, cada vez escreves melhor.