terça-feira, 31 de julho de 2007

As férias de partida

È de onde para onde?
De quem para quem?
De mim para mim?
De mim para outro?
Quanto tempo tomo do tempo
Virado para mim na obrigação dos meus dias?
Nas férias
Trocamos os hábitos por outros,
E o que resta de mim
Nas areias quentes
Ou no mar a perder de vista?
Pára a azáfama?
Não, se continuo a ignorar
O silêncio da areia
E a infinitude das águas,
Se os deixar entrar,
Vejo que há em mim outras paisagens
Onde outros habitam.
Eu e os outros somos todos uma praia!
Nos descansos
Ousamos assumir
A ruptura do tempo.
São momentos de passagem e de paragem
No que em mim
Não são interesses, horários ou trocas.
As férias da alma
São o tempo
De partir
Para o contentamento dos outros
E do outro.

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